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* Amostragem aleatória estratificada

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ESTUDOS ELEITORAIS, COMPORTAMENTO ELEITORAL, SONDAGENS,  VOTO

Quando a literatura científica evidencia que existem diferença significativas entre subgrupos da população que pretendemos estudar é vantajoso fazer uma amostragem que garanta que esses subgrupos (estratos) vão estar representados na nossa amostra de forma proporcional ao seu peso nessa população.

Por exemplo, a literatura científica diz-nos que existem diferenças significativas entre a população feminina e masculina e entre a população rural e urbana em relação ao comportamento religioso. Se estivéssemos a fazer uma sondagem onde a religiosidade fosse uma variável relevante, então seria importante que a nossa amostra incluísse um numero de homens e de mulheres residentes em áreas urbanas e rurais que fosse proporcionalmente igual ao que existe na população em estudo.

Para garantir essa representação proporcional utilizamos a amostragem aleatória estratificada que consiste em: (1) começar por identificar esses subgrupos significativos (estratos), (2) calcular o peso relativo (%) de cada um dos estratos na população e (3) utilizar, em cada um dos estratos, um procedimento de amostragem aleatória simples para escolher (na mesma proporção em que estão representados na população) os sujeitos de cada estrato que irão integrar a amostra.

Os estratos devem ser definidos em função da sua relação com o objectivo do estudo e devem ser mutuamente exclusivos (cada elemento da população apenas deve estar incluído num estrato) e exaustivos (nenhum elemento da população pode ficar fora de um estrato).

Qualquer variável pode ser utilizada como critério na determinação de um estrato. Em regra, tomam-se como variáveis de estratificação as características sócio demográficas dos indivíduos  (sexo, idade, nível de escolaridade, classe social, etc.). Também podemos definir um estrato através da intersecção das categorias de duas ou mais variáveis. Por exemplo, se considerarmos a variável  SEXO (com dois níveis: 1 = masculino; 2 = feminino) e a variável ÁREA DE RESIDÊNCIA (com sete níveis: 1 = Santa Clara, 2= Santo António dos Olivais, 3= Santa Cruz, 4= São Martinho do Bispo, 5= Sé Nova, 6= Eiras e 7= São Bartolomeu), podemos dividir a população em 14 estratos: estrato 1 = população do Sexo Feminino residente na Freguesia de Santa Clara; estrato 2 =  população do Sexo Feminino residente na Freguesia de Santo António dos Olivais;  (…)  ; Estrato 14 = população do Sexo Masculino residente na Freguesia de São Bartolomeu.

Depois de identificados os estratos é importante saber qual a sua proporção na população em estudo, uma vez que a representação de cada estrato na amostra deve ser feita na mesma proporção em que esse subgrupo está representado na população.

Supondo que tínhamos uma população com 600 sujeitos, 325 do sexo feminino e 275 do sexo masculino, residentes em 7 freguesias de Coimbra- Santa Clara, Santo António dos Olivais, Santa Cruz, São Martinho do Bispo, Sé Nova, Eiras e São Bartolomeu – de acordo com a distribuição que se apresenta no quadro seguinte:

Estes dados permitem-nos saber que a representação proporcional de cada estrato na nossa população (N) é a seguinte:

Desta forma já sabemos, também, qual deve ser a proporção de cada um dos 14 estratos na nossa amostra. Assim, se estivermos interessados, por exemplo, em constituir uma amostra de 325 sujeitos, sabemos qual o número de sujeitos de cada estrato que deve ser seleccionado para a nossa amostra (n). Basta multiplicar o total pretendido para a amostra (325, no nosso exemplo) pela proporção de cada estrato na população. Por exemplo, a percentagem de sujeitos do estrato 1  (Sexo=1 e Freguesia = a Santa Clara) na população é de 4.7%, pelo que o número de sujeitos deste estrato a incluir na amostra deve ser de 325 x ,047, ou seja, 15.

Sabendo quais os estratos e qual o número de sujeitos de cada estrato a incluir na nossa amostra, vamos selecionar esses sujeitos usando, para cada estrato, o mesmo procedimento que se utiliza na amostragem aleatória simples. Isso significa que se deve dividir a grelha de amostragem em tantos subgrupos quantos os estratos e, depois, em cada um desses subgrupos seleccionam-se os sujeitos através de um procedimento de amostragem aleatória simples. Ou seja, no nosso exemplo iríamos fazer, na prática, 14 amostras aleatórias simples (uma para cada estrato).

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