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* Modelo sociológico

O texto que se reproduz abaixo foi adaptado de: Antunes, R. J. S. (2008). Identificação partidária e comportamento eleitoral: Factores estruturais, atitudes e mudanças no sentido de voto. Coimbra: Universidade de Coimbra [tese de doutoramento] (pp. 33-42) e de Antunes, R.J.S. (2010). Theoretical models of voting behavior. Exedra, 4, 145-170.

Os pressupostos teóricos do modelo sociológico do comportamento eleitoral estão definidos em três obras essenciais: The People’s Choice, (Lazarsfeld, Berelson, & Gaudet, 1944), Voting (Berelson, Lazarsfeld, & Mcphee, 1954) e Personal Influence (Katz & Lazarsfeld, 1955). A investigação conduzida por Lazarsfeld et al. (1944)  no Estado de Ohio (Erie County), recorrendo, pela primeira vez, às técnicas de inquérito por questionário no estudo de uma eleição presidencial norte-americana — aquela que, em 1940, opôs Franklin Roosevelt a Wendell Willkie — marca um corte em relação ao tipo de abordagem metodológica que até então caracterizava o estudo do comportamento eleitoral (Barnes & Kaase, 1979). Paul Lazarsfeld, cujos interesses anteriores se tinham centrado no estudo dos mecanismos psicológicos envolvidos nos processos de escolha e nos efeitos da publicidade, da propaganda e dos mass media no comportamento dos consumidores (Rossi, 1964) tinha dois objectivos principais nesta investigação: estudar os efeitos da exposição aos meios de comunicação, isto é, saber como é que os eleitores chegam às suas decisões e qual o papel dos meios de comunicação nesse processo; testar uma nova metodologia de entrevistas sucessivas a um painel de sujeitos e a um grupo de controlo. O estudo, cujo relatório foi publicado com o título The People’s Choice (Lazarsfeld, Berelson, & Gaudet, 1944) começa por caracterizar os apoiantes dos dois principais partidos políticos norte-americanos recorrendo a um painel de 600 sujeitos, entrevistados por sete vezes ao longo dos sete meses da campanha eleitoral, para, depois, identificar os eleitores que alteraram a sua posição durante o período da campanha eleitoral, comparando três grupos: aqueles que decidiram o seu voto antes de se iniciar a campanha eleitoral, aqueles cuja decisão ocorreu durante a convenção do partido[i] e os que decidiram o sentido do seu voto apenas numa fase avançada da campanha eleitoral.

A hipótese central da investigação de Lazarsfeld et al. (1944) era a de que o acto de votar é um acto individual, afectado principalmente pela personalidade do eleitor e pela sua exposição aos meios de comunicação. Os resultados vieram, no entanto, contrariar a tese inicial, sugerindo que os efeitos dos media na decisão eleitoral era mínimo e que a influência decisiva estava nos grupos sociais a que pertenciam os eleitores. Os dois capítulos finais do seu livro — “The Political Homogeneity of Social Groups” e “The Nature of Personal Influence” — centram-se exactamente na elaboração teórica destas conclusões, que se apresentam como novidades reveladas pela investigação: “The significance of this area of political behavior was highlighted by the study but futher investigation is necessary to establish it more firmily” (Lazarsfeld et al., 1968, p. 69).

Homogenidade política dos grupos sociais

A principal conclusão de Lazarsfeld et al. (1944) foi a de que a maioria dos eleitores votou de acordo com a sua predisposição política inicial. Dos 600 sujeitos que constituíram a amostra, apenas 54 alteraram a sua posição ao longo de todo o processo. A relação encontrada entre o comportamento eleitoral e os grupos sociais a que pertenciam os sujeitos foi de tal modo forte que era possível explicar as escolhas eleitorais recorrendo apenas aos três factores que definiam o Índice de Predisposição Política utilizado na investigação: o estatuto sócio económico, a religião e a área de residência.

There is a familiar adage in American folklore to the effect that a person is only what he thinks he is, an adage which reflects the typically American notion of unlimited opportunity, the tendency toward self-betterment, etc. Now we find that the reverse of the adage is true: a person thinks, politically, as he is, socially. Social characteristics determine political preference. (Lazarsfeld et al., 1968, p. 69)

O efeito de conversão e modificação da opção de voto identificado no estudo encontra-se essencialmente entre eleitores que foram previamente classificados pelos investigadores como independentes, ou seja, aqueles que apresentaram simultaneamente predisposições iniciais opostas para um e para outro dos candidatos — pressões cruzadas — que, de acordo com os autores, eram na sua maior parte de natureza social e relacionadas com preferências políticas divergentes associadas a um ou mais grupos sociais a que os sujeitos pertenciam. Contudo, e contrariamente às expectativas iniciais, estes eleitores são persuadidos a votar num dos candidatos, não na sequência de uma análise das propostas eleitorais ou dos temas em discussão na campanha, mas na sequência de pressões exercidas pessoalmente por membros da sua comunidade. Como referem os autores:

In short, the party changers — relatively, the people whose votes still remained to be definitely determined during the last stages of the campaign, the people who could swing an election during those last days — were, so to speak, available to the person who saw them last before Election Day. The notion that people who switch parties during the campaign are mainly the reasoned, thoughtful, conscientious people who were convinced by issues of the election is just plain wrong. Actually, they were mainly just the opposite. (Lazarsfeld et al., 1968, p. 69)

Activação, reforço e conversão

No que se refere especificamente ao papel das campanhas eleitorais e dos processos de comunicação que lhes estão associados, o estudo identifica três tipos de efeitos possíveis: activação dos indiferentes, reforço da ligação partidária e conversão de indecisos. Verificou-se que o maior impacte das campanhas eleitorais incidiu sobre os eleitores que já se mostravam predispostos a votar no candidato apoiado por esse partido, reforçando e/ou activando essa predisposição prévia. Apenas 8% de eleitores modificaram a sua posição inicial na sequência da campanha eleitoral: “In sum, then, this is what the campaign does: reinforcement (potential) 53%; activation 14%; reconversion 3%; partial conversion 6%; conversion 8%; no effect 16%.” (Lazarsfeld et al., 1968, p. 103). Estes resultados não significam, no entanto, que os autores concluam que as campanhas eleitorais sejam consideradas inúteis. O seu efeito é que não corresponde às expectativas iniciais, uma vez que o papel fundamental parece ser mais o de solidificar a coesão dos simpatizantes dos partidos em torno das respectivas propostas eleitorais, do que convencer eleitores de outros partidos a alterar a sua posição. Este resultado parece estar associado a um fenómeno de atenção selectiva dos eleitores à campanha eleitoral, que se reflectia no facto de que aqueles que tinham mais interesse pela política e que já tinham definido à partida a sua opção de voto serem também aqueles que prestavam mais atenção à campanha feita na rádio e nos jornais: “In other words, the group which the campaign manager is presumably most eager to reach — the as-yet undecided — is the very group which is less likely to read or listen to his propaganda” (Lazarsfeld et al., 1968, p. 124).

Mas também no que se refere ao papel da campanha eleitoral se verificou que a influência dos grupos sociais a que o sujeito pertence é decisiva para os resultados obtidos, uma vez que se identificou um processo de mediação — protagonizado por membros desses grupos que se assumiam como líderes de opinião — entre a comunicação veiculada pelos meios de comunicação de massa e os eleitores. Este processo foi designado por fluxo de comunicação em duas etapas (two step flow of communication):

A special role in the network of personal relationships is played by the ‘opinion leaders’. In Chapter V, we noted that they engaged in political discussion much more than the rest of the respondents. But they reported that the formal media were more effective as sources of influence than personal relationships. This suggest that ideas often flow from radio and print to the opinion leaders and from them to the less active sections of the population. (Lazarsfeld et al., 1968, p. 151).

Estes resultados contrariam claramente a hipótese inicial de que o acto de votar é um acto individual. A relação entre os grupos sociais em que o sujeito se filia, a sua opção política e o papel decisivo dos contactos pessoais na definição das opções eleitorais indicam que as decisões dos votantes, mais do que actos individuais, são processos de coesão grupal: “In a way, the content of this chapter can be summarized by saying that people vote, not only with their social group, but also for it” (Lazarsfeld et al., 1968, p. 148).

Esta primeira investigação, conduzida em Erie County, foi alvo de críticas que apontavam, de uma forma geral, como insuficiência mais relevante o facto de se tratar de um trabalho não sustentado em opções teóricas prévias, o que se traduzia em explicações construídas a posterior para dar inteligibilidade aos resultados encontrados (Rossi, 1964). Um dos exemplos dessas explicações a posterior é a utilização do conceito de fluxo de comunicação em duas etapas que surge nesta obra como hipótese desenvolvida para explicar o papel dos líderes de opinião na mediação do fluxo comunicacional entre os mass media e os eleitores. Lazarsfeld et al. (1944) só se referem a ele pela primeira vez no último capítulo do livro The People’s Choice — intitulado “The Nature of Personal Influence” —, dedicando-lhe apenas três breves parágrafos. O conceito viria a ser posteriormente desenvolvido por Katz e Lazarsfeld em Personal Influence: The Part Played by People in the Flow of Mass Communications (1955), considerada uma das obras mais influentes na investigação da comunicação de massas, onde os autores reafirmam e desenvolvem a ideia de que as respostas dos sujeitos às mensagens dos media são mediadas pelas relações interpessoais e pelos seus grupos a que os sujeitos pertencem e de que alguns sujeitos actuam como líderes de opinião, construindo e reconstruindo, nos seus círculos sociais, o significado das mensagens dos media.

Transmissão social das escolhas políticas

A insuficiência dos resultados encontrados no estudo realizado no Erie County (Ohio) levou estes autores a replicá-lo, com algumas alterações, nas eleições presidenciais de 1948, que opuseram Harry Truman, presidente em exercício, a Thomas Dewey, governador do estado de Nova York. Os resultados foram publicados por Berelson, Lazarsfeld e Mcphee (1954) em Voting: A Study of Opinion Formation in a Presidential Campaign. Como os próprios autores fazem notar, esta investigação, realizada agora numa pequena comunidade do estado de Nova York — Elmira —, pretendia não apenas ser uma sequência do estudo anterior, mas também uma oportunidade para corrigir problemas metodológicos e conceptuais apontados à investigação realizada anteriormente. As conclusões deste estudo apontam, tal como o de Erie County, no sentido de que a diferenciação social — feita com base no estatuto socioeconómico, na religião, na raça e no local de residência —, é condição prévia para a divergência política e consequente clivagem eleitoral; que existem condições de transmissibilidade que asseguram a manutenção e persistência dessa diferenciação de geração em geração; e que as condições de maior proximidade física e social entre membros do mesmo grupo, por oposição à menor proximidade com membros de outros grupos, facilita e mantém a clivagem eleitoral. Estes três processos — diferenciação, transmissão e contacto — garantem a transmissão social das escolhas políticas e, tal como referem os autores: “In contemporary America these conditions are best met in class, in ethnic and in ecological divisions of the population. They continue to provide, then, the most durable social bases for political cleavage.” (Berelson, Lazarsfeld, & Mcphee, 1954, p. 75).

Os resultados voltam a evidenciar que a predisposição política dos sujeitos, estabelecida em função do seu estatuto socioeconómico, raça, religião e local de residência, se correlaciona de forma elevada com a sua opção de voto e que mesmo aqueles sujeitos que inicialmente se afastam dessa posição inicial acabam, na sua maioria, por “regressar” a ela, ou seja, as posições eleitorais que se coadunam com a posição dominante no grupo social a que os sujeitos pertencem, têm maior probabilidade de se concretizarem no fim da campanha. Este regresso dos eleitores à posição “natural” do seu grupo social — explicado pelo facto de os sujeitos recorrerem a pessoas das suas relações sociais para expor as suas dúvidas e pedirem aconselhamento, o que as leva a obterem orientações que os reconduzem à opção eleitoral maioritária do seu grupo social —, é considerado como o fenómeno psicológico mais interessante e, simultaneamente, o mais relevante do ponto de vista político. Os autores designam este fenómeno psicológico por reactivação (Berelson, Lazarsfeld, & Mcphee, 1954).

Percepção e diferenciação política

Entre as alterações introduzidas nesta segunda investigação destacam-se aquelas que se relacionam com o estudo do papel desempenhado pelos temas da campanha, que no estudo inicial fora feito apenas com base na análise dos materiais produzidos pela rádio e imprensa escrita e que, agora, foi objecto de uma abordagem metodologicamente diferente, uma vez que também se avaliou a posição e percepção dos sujeitos da amostra em relação a esses temas e ao modo como eram tratados pelas duas campanhas. A análise deste tópico foi feita dividindo os temas em dois tipos de informação: temas económicos, centrados na política interna (Position issues) e temas políticos, centrados na política internacional (Style issues). Os resultados encontrados evidenciam uma clivagem entre os sujeitos na avaliação dos temas económicos, tendo por base o estatuto socioeconómico, a filiação partidária e o interesse nas eleições, e um consenso na avaliação dos temas políticos. Em relação a este último grupo, Republicanos e Democratas concordavam entre si na definição dos temas importantes da campanha, assim como em alguns critérios usados para avaliar os candidatos e tinham expectativas similares sobre acontecimentos políticos futuros, mas divergiam na avaliação de qual o melhor candidato para concretizar as políticas com que concordavam (Berelson, Lazarsfeld, & Mcphee, 1954).

No entanto, apesar da importância atribuída aos temas económicos, os autores verificaram que apenas metade dos sujeitos estava em sintonia com a posição do seu partido em relação às propostas económicas, embora tendessem a avaliar a posição do seu candidato como sendo congruente com a sua e a do candidato opositor como contrária. Da mesma forma os sujeitos tendiam a não percepcionar as diferenças em relação ao seu candidato ou as semelhanças com o candidato oponente. Ou seja, os eleitores, embora tentassem manter uma coerência entre as suas posições e as do candidato que apoiavam, não resolviam as incoerências que encontravam mudando a sua opção de voto, mas alterando a sua percepção em relação ao candidato.

Under the increased pressures of a campaign, people have an increased tendency toward consistency, in all relevant aspects. As times goes on as we compare materials collected early in the campaign with those obtained at later stages, we find that people abandon deviant opinions on specific issues to agree with the position taken by their party (or at least to perceive such agreement); (…) In 1948, focusing on primary groups, we found that disagreements between friends and families disappear and make way for a homogeneity of attitude within various social groups. The tendency for a “strong Gestalt” within individuals — and analogously within groups — certainly receives support in our material (Berelson, Lazarsfeld, & Mcphee, 1954, p. 285).

Prática e teoria democrática

Do ponto de vista teórico o contributo mais relevante deste segundo estudo é a conceptualização do comportamento eleitoral num modelo sociológico que tenta compatibilizar os pressupostos da organização democrática da sociedade e o comportamento eleitoral dos sujeitos, que se considera estar, pelo menos de forma aparente, em contradição com esses pressupostos. Os autores identificam as características políticas individuais que seria de esperar dos eleitores num regime democrático — interesse, discussão e motivação, conhecimento, princípios e racionalidade — para concluírem que, na realidade e de acordo com os dados das suas investigações, a maioria dos sujeitos não tem interesse nem motivação pela política: “(…) it is a curious quality of voting behavior that the large numbers of people motivation is weak if not almost absent” (Berelson, Lazarsfeld, & Mcphee, 1954, p. 308); tem um conhecimento limitado e pobre dos assuntos de natureza política: “He is supposed to know what the issues are, what their story is, what the relevant facts are, what alternatives are proposed, what the party stands for, what the likely consequences are. By such standards the vote falls short” (p. 308); não decide o seu voto em função de princípios: “many voters vote not for principle in the usual sense but “for” a group to which they are attached — their group” (p. 309); e não sustenta as suas decisões eleitorais na razão: “In short, it appears that a sense of fitness is more striking feature of political preference than reason and calculation (p. 311).

Perante este quadro em que os eleitores parecem não satisfazer as condições necessárias ao funcionamento de um regime democrático, os autores defendem que as democracias não entraram em colapso e, pelo contrário, fortaleceram-se porque a lógica da democracia funciona num nível agregado e não num nível individual. Se todos os eleitores tivessem um grau elevado de interesse e motivação política isso iria repercutir-se também numa maior divisão entre eleitores, num clima de maior conflituosidade e clivagem política que poderia pôr em perigo o próprio sistema. Mais do que necessitar de indivíduos altamente interessados e motivados pela política a democracia precisa que a sociedade seja constituída por grupos heterogéneos que garantam a pluralidade de ideias e de propostas políticas (Berelson, Lazarsfeld, & Mcphee, 1954, p. 314).

Clivagens sociais

Embora os trabalhos de Lazarsfeld e Berelson estejam associados aos modelos sociológicos do comportamento político, é importante notar que a abordagem micro-sociológica que usam nas suas investigações identifica vários processos de natureza psicológica, que vão da percepção, à identidade social e ao favorecimento do endogrupo, passando pela recurso aos princípios da gestalt para explicar a propensão dos eleitores em escolher a “boa forma” ― neste caso, a posição natural do seu grupo social ―, que, embora não tenham sido teorizadas como tal, são antecipações de abordagens psicossociais posteriores. De facto, embora estes autores não retirem conclusões teóricas relevantes em termos psicossociais, privilegiando antes explicações que enfatizam a componente sociológica, abriram caminho à investigação desenvolvida posteriormente pela escola de Michigan e que se conhece como abordagem psicossocial do comportamento eleitoral.

A continuidade e desenvolvimento posterior do modelo sociológico do comportamento eleitoral, enquanto tal, estão associados ao livro Political Man (Lipset S. M., 1960) e à publicação de Party Systems and Voter Alignment: Cross-national Perspectives (Lipset & Rokkan, 1967) centrado no desenvolvimento do sistema partidário na Europa Ocidental. Contrariamente a Lazarsfeld et al. (1944) e Berelson et al. (1954), Lipset e Rokkan (1967) partem de uma abordagem histórica e macrossociológica que entende que os sistema partidários nos países da Europa Ocidental reflectem clivagens históricas com origens na revolução nacional — clivagens entre centro/periferia e estado/igreja — e na revolução industrial — clivagens entre urbano/rural e capital/trabalho. Estas clivagens assumem relevância política quando os grupos sociais desenvolvem percepções dessas diferenças e quando, em consequência disso, se institucionalizam no sistema político (Manza & Brooks, 1999). Esta ligação entre as clivagens sociais e o sistema político acontece quando as clivagens sociais se fazem sentir em três níveis diferentes: como componentes empíricas enraizadas na estrutura social; como componentes normativas que se traduzem em formas conflituosas de consciência social; e como componentes institucionais que se expressam em interacções individuais ou entre organizações e instituições (Bartolini & Mair, 1990). Deschouwer & Luther (1999) separam desta última componente institucional e organizacional tudo o que se refere aos diferentes tipos de comportamento individual que resulte das componentes anteriores, que consideram como sendo uma quarta componente — comportamental — que inclui, entre outros exemplos, o comportamento eleitoral.

O modelo sociológico tem, no entanto, limitações na explicação das variações que ocorrem no comportamento eleitoral em função de factores conjunturais específicos de cada eleição. Os factores sociais de longo prazo podem explicar a estabilidade do comportamento eleitoral, mas não explicam as variações que ocorrem no comportamento dos eleitores entre diferentes actos eleitorais, da mesma forma que não explicam as razões pelas quais sujeitos que pertencem a determinados grupos sociais votam de acordo com o que seria de esperar de sujeitos pertencentes a grupos sociais diferentes. Embora existam dentro da abordagem sociológica tentativas de superar estas dificuldades como, por exemplo, as investigações que defendem que o estudo do comportamento eleitoral não deve ser feito na perspectiva do eleitor, mas valorizando factores contextuais como os programas políticos dos partidos, o papel dos media, a estrutura económica dos países, bem como os contexto em que as relações entre eleitores e partidos se tornam mais fortes (Curtice, 2002; van der Eijk, 2002; van der Eijk, Franklin, & Oppenhuis, 1996; Glasgow & Alvarez, 2005; Johnson, Shively, & Stein, 2002; Wright, 1977), estas limitações estiveram na origem do modelo psicossociológico de Michigan que tenta ultrapassá-las com recurso ao conceito de identificação partidária, com o qual se procura fazer a ligação entre a influência dos factores sociológicos e históricos de longo prazo, identificados no modelo sociológico, e os factores sociais e políticos de curto prazo (cf. Modelo Psicossocial do Comportamento Eleitoral)

Bibliografia
  1. Barnes, S. H., & Kaase, M. (1979). Political action: Mass participation in five western democraties. Beverly Hills, CA: Sage.
  2. Bartolini, S., & Mair, P. (1990). Identity, competition and electoral availability. New York: Cambridge University Press.
  3. Berelson, B. R., Lazarsfeld, P. F., & Mcphee, W. N. (1954). Voting: A study of opinion formation in a presidential campaign. Chicago: Chicago University Press.
  4. Curtice, J. (2002). The state of electoral studies: mid-life crisis or new youth? Electoral Studies (21), 161-168.
  5. Deschouwer, K., & Luther, K. R. (1999). Party elites in divided societies: Political parties in consociational democracy. London: Routledge.
  6. Glasgow, G., & Alvarez, R. M. (2005). Voting behavior and the electoral context of government formation. Electoral Studies , 24, 245-264.
  7. Johnson, M., Shively, W. P., & Stein, R. M. (2002). Contextual data and the study of elections and voting behavior: connecting individuals to environments. Electoral Studies , 21, 219-233.
  8. Katz, E., & Lazarsfeld, P. F. (1955). Personal influence: The part played by people in the flow of mass communications. Glencoe, IL: Free Press.
  9. Lazarsfeld, P. F., Berelson, B., & Gaudet, H. (1944). The people’s choice: How the voter makes up his mind in a presidential campaign. New York: Columbia University Press.
  10. Lipset, S. M. (1960). Political man: The social bases of politics. New York: Doubleday & Company, INC.
  11. Lipset, S., & Rokkan, S. (1967). Cleavagen structures, party systems, and voter alignments: An introduction. In S. Lipset, & S. Rokkan, Party systems and voter alignments:cross national perspectives (pp. 1-64). New York: Free Press.
  12. Manza, J., & Brooks, C. (1999). Social cleavages and political change: Voter alignments and U.S. party coalitions. New York: Oxford University Press.
  13. Rossi, P. H. (1964). Four landmarks in voting behavior. In F. Munger, & D. Price, Readings in political parties and pressure groups (pp. 304-347). New York: Thomas Y. Crowell.
  14. van der Eijk, C. (2002). Design issues in electoral research: taking care of (core) business. Electoral Studies , 21, 189-206.
  15. van der Eijk, C., Franklin, M., & Oppenhuis, E. (1996). The strategic context: party choice. In C. van der Eijk, & M. Franklin, Choosing Europe? The European electoral and national politics in the face of union. Ann Arbor, MI: University of Michigan Press.
  16. Wright, J. G. (1977). Contextual models of electoral behavior: The southern Wallace vote. The American Political Science Review , 71, 497-508.

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[i] Os partidos políticos americanos escolhem os seus candidatos presidenciais através de uma convenção que reúne delegados eleitos pelas estruturas locais dos partidos. Esta reunião tem por objectivo nomear o candidato presidencial apoiado pelo partido e definir o respectivo programa eleitoral, designados por plataforma. O processo de eleição dos delegados à convenção é conhecido por “primárias” e consiste numa disputa eleitoral interna onde os candidatos à nomeação disputam entre si a eleição do maior número de delegados à convenção do respectivo partido. Este processo traduz-se também numa campanha eleitoral longa, dividida entre as primárias e a eleição presidencial propriamente dita. Embora as primárias sejam teoricamente dirigidas para o interior de cada partido é um facto que elas são seguidas a nível nacional e internacional pela imprensa e suscitam interesse da generalidade dos eleitores independentemente da sua filiação partidária, funcionando, para todos os efeitos como uma pré-campanha eleitoral.


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