Sondagens e Estudos de Opinião

Início » O que são sondagens? » Definições

Definições

*
ESTUDOS DE OPINIÃO.
A expressão Estudos de Opinião refere-se a qualquer técnica ou procedimento utilizado para estudar ou explicar a opinião pública.
Este tipo de investigação caracteriza-se por dois aspectos fundamentais:
  1. as pessoas entrevistadas são seleccionadas de forma aleatória de entre os membros da população que se pretende estudar, isto é, são utilizadas amostras probabilísticas de uma população-alvo; e
  2. as perguntas feitas aos entrevistados estão organizadas num questionário. A recolha de informação pode ser feita em entrevistas face-a-face, por telefone, ou através de questionários auto-administrados.
*
INQUÉRITO
O Inquérito (survey) é o método  universalmente aceite para estudar cientificamente a opinião pública.
Podem identificar-se quatro tipos básicos de inquérito: Sondagem de Opinião Pública (public opinion poll), Estudo de Mercado (market research), Inquérito Estatístico Descritivo (descriptive statistical surveys) e Inquérito de Investigação Social (social research surveys).
Num Inquérito distinguem-se cinco fases:

  1. Identificação e/ou desenvolvimento das questões a serem utilizados para medir as atitudes, opiniões ou comportamentos a estudar
  2. Definição da amostra probabilística que represente com precisão a população a estudar
  3. Realização das entrevistas  e registo fiel das respostas dos entrevistados
  4. Realização da análise estatística das respostas usando princípios e procedimentos normalizados
  5. Interpretação dos resultados e elaboração de relatórios
A cada uma destas fases estão associados tipos de erro que afectam a qualidade dos resultados do inquérito. Os tipos de erro associados à construção e preenchimento dos questionários são: validade, erros de medida e erros de processamento. No que se refere à selecção de amostras aleatórias os tipos de erro associados a esta fase são: erros de cobertura, erros de amostragem, erros de não resposta e erros de ajustamento (cf. Erros e Inferência).
*
AMOSTRAGEM
Amostragem é a noção fundamental subjacente a todas os inquéritos. A amostragem é o procedimento para escolher um conjunto de sujeitos que representem os atributos da população que se pretende estudar e que serão usados para recolher informações que permitam fazer inferências sobre essa população (cf. Inferências). Existem dois grandes tipos de amostragem: amostragens probabilísticas (amostragens aleatórias) e amostragens não probabilísticas (amostragens não aleatórias).
A principal distinção entre a amostragem probabilística e a não probabilística prende-se com o método utilizado na escolha dos entrevistados. Para que uma amostragem seja considerada probabilística todos os membros da população-alvo devem ter a mesma probabilidade (diferente de zero) de serem seleccionados para a amostra, enquanto nas amostragens não probabilísticas esta condição não se verifica.
Para a definição e selecção de uma amostra probabilística é necessário definir a população-alvo e dispor de uma grelha de amostragem com a identificação dos membros dessa população [nas sondagens eleitorais a população-alvo são os sujeitos que podem votar nessa eleição, isto é, os eleitores, e a grelha de amostragem utilizada é, frequentemente, a lista telefónica (com todos os problemas que isso coloca pelo facto de nem todos os eleitores  estarem identificados nas listas telefónicas e de as listas telefónicas incluírem vários elementos que não pertencem à população dos eleitores) (cf. Erro de Cobertura)].
As amostragens probabilísticas podem ser: Amostragem aleatória simples; amostragem aleatória sistemática; Amostragem aleatória estratificada; Amostragem por clusters; amostragem multi-etapas. 
As amostragens não-probabilísticas podem ser: amostragem por quotas; amostragem por dimensões; amostragem de conveniência; amostragem intencional; amostragem bola-de-neve (cf. Amostragem).
*
CENSO
Contrariamente a um inquérito, que utiliza uma amostra probabilística da população, um Censo exige que todos os membros da população sejam estudados.
*
TAMANHO DA AMOSTRA
O Tamanho da Amostra refere-se ao número de sujeitos entrevistados durante o estudo. De uma forma geral o tamanho da amostra utilizada nos inquéritos varia entre 250 e 1500 sujeitos, podendo ir ocasionalmente a mais de 3.000 sujeitos.
O tamanho da amostra é objecto de alguns mitos. Um deles é que o tamanho da amostra é definido de acordo com o tamanho da população: população pequena, amostra pequena, população grande, amostra grande. Isso não é assim. De facto, embora haja uma relação entre estas duas variáveis, o tamanho da população influencia muito pouco o tamanho de amostra. Uma variante do mito do tamanho da amostra é o mito da fracção amostral. Esta crença sustenta que as amostras devem ser uma fracção da população (um décimo, um quinto e um terço, ou qualquer outro). Novamente, não é assim. Normalmente, o tamanho da amostra é infinitamente pequeno em relação ao tamanho da população. O tamanho da amostra está relacionado com a margem de erro que se pretende aceitar. Por exemplo, numa população de 3oo mil eleitores, se quisermos ter uma amostra que assegure uma margem de erro de +- 3% (com intervalo de confiança de 95% e distribuição das respostas de 50%) devemos entrevistar 1064 sujeitos, enquanto a mesma margem de erro numa população de 3 milhões exige uma amostra de 1067 e numa população de 30 milhões de eleitores são suficientes 1068 sujeitos para garantir o mesmo erro amostral.
O tamanho da amostra pode ser encontrado de uma forma prática e rápida usando calculadores disponíveis em vários sítios da internet (por exemplo: http://www.raosoft.com/samplesize.html).
*
MARGEM DE ERRO
A margem de erro (ou erro de amostragem) é uma estatística que expressa a magnitude do erro (nos resultados de um inquérito) que pode ser atribuível à amostragem aleatória. Ou seja, descreve a precisão dos resultados do inquérito e corresponde à diferença prevista entre os resultados obtidos com a amostra de pessoas entrevistadas e o valor que se verifica, de facto, na população da qual a amostra foi retirada. Por exemplo, se uma sondagem com uma margem de erro de 3% obtém que 60% dos entrevistados aprovam o político A, esse resultado significa que o índice de aprovação real desse politico na população se situa entre 57% e 63%.
Embora possa ser definido para qualquer nível de confiança, a margem de erro é convencionalmente reportada a um nível de confiança de 95%. Este valor especifica a probabilidade (95%) de que o resultado na população esteja, de facto, dentro dos limites da margem de erro dos resultados obtidos com a amostra. Assim sendo, no exemplo apresentado acima, isso quer dizer que o nível de aprovação do político A se situa, com uma probabilidade de 95%, entre 57% e 63%, ou seja, há ainda um pequena possibilidade (5%) de que o resultado real na população não esteja, de facto, dentro deste intervalo.
O valor da margem de erro também depende da distribuição das respostas. É comum assumir-se que há distribuição normal das respostas, utilizando-se, nesses casos, o valor crítico para este tipo de distribuição: 50%.
O erro de amostragem é uma medida estatística que depende de dois factores sob controle do investigador: o tamanho da amostra e o método de amostragem (Nota: só se pode falar de margem de erro em amostragens probabilísticas).
No quadro seguinte apresentamos, para uma população alvo semelhante à dos eleitores portugueses (aproximadamente 9,5 milhões), os valores de margens de erro para amostras com tamanhos,  intervalos de confiança e distribuições diferentes.
Nota: a Margem de Erro apenas se refere ao erro atribuível ao processo de amostragem aleatória. Existem outros tipos de erro que podem ocorrer durante uma sondagem (cf. Erro e Inferência)
*
PAINEL
Painel refere-se a um inquérito em que os respondentes são entrevistados várias vezes  ao longo do tempo, integrados num mesmo estudo. Os Painéis questionam os mesmos respondentes por várias entrevistas consecutivas.
O método do painel foi desenvolvido por Paul Lazarsfeld em 1944 no seu estudo pioneiro sobre comportamento eleitoral (The People Choice).
Actualmente, os painéis são amplamente utilizados no estudo do comportamento do consumidor, no estudo de audiências e nos estudos de opinião política. Este tipo de investigação tem uma vantagem essencial, na medida em que permite monitorizar as alterações produzidas nos sujeitos de entrevista para entrevista, possibilitando a identificação das características daqueles que mudaram a sua opinião e daqueles em que isso não acontece, e relacionar esse comportamento com acontecimentos que ocorreram no intervalo de tempo que mediou entre as duas entrevistas.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Blog Stats

  • 384,462 hits
%d bloggers like this: