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Tipo de respostas

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As respostas a um questionário podem ser divididas em dois grandes tipos: estruturadas (fechadas) e não estruturadas (abertas).

Nas respostas estruturadas as possibilidades de resposta que os sujeitos podem dar às questões estão previstas no próprio questionário e ele apenas tem que assinalar a opção que melhor corresponde à sua situação. Nas respostas não estruturadas as possibilidades de resposta não estão previstas no questionário e o sujeito deve dar uma resposta escrevendo-a com palavras suas.

De uma forma geral nos inquéritos pretende-se obter respostas estruturadas, uma vez que isso facilita não só a sua quantificação e tratamento estatístico, mas também uma maior comparabilidade entre as respostas dadas pelos diferentes sujeitos da amostra. Este tipo de respostas levanta, no entanto, algumas questões. O principal risco é que podem limitar demasiado a capacidade dos sujeitos expressarem exactamente aquilo que pretendem e, dessa forma, não permitir que o investigador se aperceba de variações e nuances importantes para compreender o tema em estudo. Este risco aconselha a que só se construa um questionário baseado em respostas estruturadas se o investigador conhecer muito bem a variabilidade de comportamentos, atitudes e opiniões relacionadas com o tema em estudo. Só assim poderá conhecer e antecipar todas as possibilidades de resposta que os sujeitos podem dar às suas questões. Caso isso não se verifique é aconselhável que faça um estudo prévio assente na obtenção de respostas não estruturadas.

As respostas não estruturadas são especialmente úteis em estudos exploratórios quando não conhecemos bem o tema em estudo e temos dificuldade em antecipar todas as possibilidades de resposta possíveis a uma questão. Uma resposta aberta, ao possibilitar aos sujeitos expressar de forma livre e espontânea a sua resposta, também possibilita que o investigador se aperceba da variabilidade e das nuances em torno do tema. Esse conhecimento irá habilitá-lo posteriormente a construir um questionário baseado em respostas estruturadas.

Existem diversos formatos de resposta estruturada, cada um com suas próprias vantagens e desvantagens. Vamos rever as mais importantes aqui.

Resposta Dicotómica

Nas respostas dicotómicas pretende-se que os sujeitos escolham uma de duas opções, por exemplo, Sim/Não; Verdadeiro/Falso; Masculino/Feminino, …

Neste tipo de resposta as alternativas dadas aos respondentes devem ser mutuamente exclusivas (cada sujeito só pode incluir-se numa das possibilidades de resposta) e exaustivas, (todos os sujeitos devem poder incluir-se numa das duas hipóteses de resposta dada).

Este tipo de resposta dá origem a uma variável nominal (ou categorial).

Escolha Múltipla

Nas respostas  de escolha múltipla, permite-se que os sujeitos escolham uma entre várias opções de resposta (a opção assinalada pelo sujeito corresponde à resposta Sim e todas as outras são consideradas com tendo resposta Não). Também neste caso é importante que as possibilidades de resposta sejam exaustivas e mutuamente exclusivas. Estas respostas permitem-nos colocar o sujeito num grupo, isto é, trata-se de uma variável nominal.

Uma forma semelhante de resposta é a que se obtém com o uso de “checklists”  em que se solicita aos sujeitos que assinalem uma ou mais opções. Um exemplo é a questão transcrita abaixo em que o sujeito pode assinalar mais do que um dos itens:

Se já foi simpatizante de um outro partido assinale se a alteração da sua simpatia coincidiu com alguma das razões que se apresenta abaixo:

Nestes casos tratam-se efectivamente de várias questões dicotómicas (uma para cada item), agrupadas numa única pergunta, em que os itens assinalados correspondem à resposta Sim e os não assinalados a Não. Cada um destes itens (questões) dará origem a uma variável nominal (ou categorial).

Este tipo de resposta – tal como a de escolha dicotómica –   permite ao investigador dividir a amostra em grupos que serão posteriormente comparados nas respostas dadas a outras questões do questionário.  Em termos estatísticos tratam-se de variáveis nominais. Quando se transcrevem para uma base de dados este tipo de respostas são codificadas com número (por exemplo Sim =1 e Não =2; Masculino = 1 e Feminino = 2; etc…). Neste tipo de variáveis os número atribuídos às respostas não representam nenhuma relação entre elas, Por exemplo,  o “2” atribuído à resposta “Feminino” não significa que esta valha o dobro da resposta “Masculino”.

Nos casos em que o objectivo não seja especificamente o de formar grupos para posterior comparação de resultados devemos evitar usar questões que originem variáveis nominais, uma vez que elas limitam as possibilidades de tratamento estatístico à estatística não paramétrica o que faz com que a generalização dos resultados obtidos seja consideravelmente limitada.

Seriação

Nas respostas de seriação aquilo que se pede aos sujeitos é que coloquem por ordem, de acordo com determinado critério, itens apresentados na questão. Por exemplo,

Em termos estatísticos este tipo de resposta origina uma variável ordinal. Nestes casos as respostas são codificadas com números que correspondem à respectiva posição na seriação entre o partido mais conservador e o partido menos conservador. Contrariamente ao que acontece com as variáveis nominais, nas variáveis ordinais há uma relação entre os números atribuídos a cada uma das variáveis. O partido a que for atribuído a posição 1 é mais conservador do que aquele a que foi atribuída a posição 2 e este é mais conservador em relação ao partido colocado na posição 3 e assim sucessivamente. Não podemos, no entanto, dizer se a distância (no grau conservadorismo) entre o partido colocado na posição 1 aquele que está na posição 2 é igual à que existe entre o partido colocado na posição 2 e aquele que está na posição 3.  Note que estamos a falar da distância no que se refere àquilo que estamos a medir, ou seja, o “grau de conservadorismo” e não da distância de posições na seriação (esta é igual entre o 1º e o 2º e entre o 2º e  o 3º).

O facto de o intervalo entre as posições na seriação não ser igual é uma limitação neste tipo de resposta e coloca algumas limitações ao tipo de tratamento estatístico que pode ser utilizado com este tipo de variáveis.

Escalas

Nas resposta de escala (ou contínuas ou de intervalo) aquilo que se pede aos sujeitos é que assinalem a sua resposta utilizando uma escala caracterizada por ter um incremento padrão igual em toda a sua extensão.

Contrariamente às respostas ordinais onde a distância (no grau de conservadorismo, por exemplo) entre o  1º e o  2º não é igual à distância (no grau de conservadorismo) entre o 2º e o 3º, nas variáveis de escala (ou contínuas ou de intervalo) a distância entre 1 e 2 é a mesma que entre 2 e 3.  Por exemplo, a “idade” é uma escala em que a relação que existe entre 1 e 2 anos é a mesma que existe entre 2 e 3 anos; a “altura” é uma escala em que a relação entre 1 e 2cm e a mesma que existe entre 2 e 3cm; o “dinheiro” é uma escala em que a distância entre 1 e 2 euros é a mesma que existe entre 2 e 3 euros…

Para além das medidas que são por definição numéricas e contínuas (peso, idade, altura, salário …), em que o valor da variável corresponde ao registo da resposta real fornecida pelo sujeito, existem outras possibilidades de obter respostas contínuas. As escalas tipo Likert, em que se fornece ao sujeito a possibilidade de assinalar a sua resposta uma escala com cinco opções entre dois pontos extremos – por exemplo, de “muito insatisfeito” a “muito satisfeito” ou de “totalmente de acordo” a “totalmente em desacordo”- em que um dos extremos é codificado com o número 1 e o outro com o número 5 e em que os números 2, 3 e 4 representam pontos intermédios, são frequentemente utilizadas na investigação por inquérito para dar origem a variáveis de intervalo, contínuas ou de escala. É importante notar que cada intervalo deve ser igualmente espaçado (Se seus espaços de intervalo não são iguais, então estamos perante uma escala ordinal).

Um exemplo de questão de resposta de escala (contínua ou de intervalo) utilizando uma escala de likert com 5 pontos é a que se reproduz a seguir:

 Um outro exemplo deste tipo de resposta é a utilização do diferencial semântico que se exemplifica a seguir:

Este tipo de resposta – escala, intervalo ou contínua –  é aquela que permite mais opções no tipo de tratamento estatístico, pelo que deve ser utilizada sempre que tal for possível.

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